Registros de Igrejas



Breve História da Diocese de São Paulo

Em de 6 de setembro de 1746 a provisão da Mesa de Consciência e Ordens tornou civilmente criada a Diocese de São Paulo. Dom João V, doou para o bispado de São Paulo uma banqueta de prata maciça, um crucifixo e quatro castiçais para a futura catedral diocesana.

Como a Capitania de São Vicente esteve subordinada à Capitania do Rio de Janeiro desde 1748 (tendo sido mantida nessa condição até 1765), a criação do bispado paulista significou maior autonomia eclesiástica. O território da Diocese paulista abrangia os territórios que iam do sul do atual Estado de Minas Gerais, Pouso Alegre, até as fronteiras com o Uruguai, incluindo os atuais estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O primeiro bispo D. Bernardo Rodrigues Nogueira, nascido em Portugal, em 1695, veio para o Brasil para tomar posse de seu bispado. Para que ele subisse a Serra do Mar, foi melhorado o Caminho do Cubatão, tendo entrado na cidade de São Paulo no mês de dezembro. Até novembro de 1748, quando faleceu, muito trabalhou: organizou a nova Diocese, publicou quatro Pastorais e deu testemunhos de vida piedosa.

No período de 1745 até 1824 vivemos a fase das lutas pela independência da coroa portuguesa e a teologia liberal que impregnará os padres e bispos da época. É tempo de revoltas em toda a colônia com revoluções comandadas inclusive por padres como Frei Caneca na Confederação do Equador no Pernambuco. Havia uma forte reivindicação de uma Igreja nacional e o ideal de liberdade e emancipação do jugo português vai crescendo até a emancipação. Os grandes senhores agrícolas se estabelecem em torno da cana de açúcar e o trabalho escravo vê reforçado sua crueza no massacre de milhões de africanos trazidos à força pelos navios negreiros. Nações inteiras como os nagôs, bantus, iorubás e jejes são escravizados e forçados pela Igreja a abandonar suas religiões tradicionais africanas assumindo sob o chicote o batismo cristão.

São Paulo teve como bispos, todos de origem portuguesa, neste período:

  • Dom Bernardo Rodrigues Nogueira (15.07.1746 - 07.11.1748)
  • Dom Frei Antonio da Madre de Deus Galvão (28.06.1751 - 19.03.1764)
  • Dom Frei Manuel da Ressurreição (07.12.1771 - 21.10.1789)
  • Dom Mateus de Abreu Pereira (04.11.1795 - 05.05.1824)
  • Este último participou ativamente e assiduamente dos acontecimentos políticos e da Independência do Brasil. Apoiou claramente a independência com o apoio do Cabido e do clero paulista. Fez parte do triunvirato que governou São Paulo. Mesclava idéias regalistas e liberais.

    São Paulo - De Diocese à Arquidiocese

    No período de 1824 até 1938 vivemos o período da reforma católica da Igreja. A sociedade vive o período da revolução industrial nascente e da expansão capitalista. O fenômeno migratório que sempre caracterizou a geopolítica nacional vê-se agora marcado pela imigração de assalariados alemães, espanhóis e italianos. A Igreja vive a crise da formação do Estado liberal e o final do império, com forte característica clerical. É a reforma tridentina enfim chegando com força em terras brasileiras. É a nova cristandade convivendo com a luta abolicionista e a maçonaria.

    São Paulo passa neste período de 80 mil negros escravos a contar 174 mil escravos, particularmente nas fazendas de café. Em 1852, começam a chegar suíços trazidos para Rio Claro e em seguida alemães e italianos. No dia 18 de julho de 1908, pelo navio Kasato Maru, os imigrantes japoneses chegarão ao interior paulista, instalando-se na linha Mogiana, introduzindo um novo mundo de relações, línguas, costumes e diferenças étnicas e religiosas. Vieram 300 mil alemães, cerca de 60 % luteranos principalmente para o sul do país. Nesta fase chegam os dissidentes da Igreja anglicana, e os templos de Igrejas protestantes são construídos em São Paulo a partir de 1871 sendo que em 1910 chegam os pentecostais.

    No dia 03 de julho de 1858 começava a funcionar o Cemitério da Consolação, por ocasião da epidemia da varíola. Este era o primeiro cemitério organizado pela municipalidade. Entre 1775 e 1858 os cadáveres de escravos e indigentes eram amontoados em buracos abertos na rua dos Aflitos, no atual bairro da Liberdade.

    Cinqüenta e dois por cento dos 580 mil habitantes da cidade, empregados como mão de obra na indústria paulistana em 1920 eram estrangeiros. A cidade de terra e barro é destruída e o tijolo torna-se o novo material das casas e igrejas. Em seguida o cimento armado. É a revolução das estruturas e arquiteturas.

    São Paulo teve como bispos neste período:

  • Dom Manoel Joaquim Gonçalves Andrade (1827 - 1847)
  • Dom Antonio Joaquim de Mello, primeiro brasileiro (1852 -1861)
  • Dom Sebastião Pinto do Rego (1862 - 1868)
  • Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho (1873 - 1894)
  • Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1894 - 1897)
  • Dom Antonio Candido de Alvarenga (1899 - 1903)
  • Dom José de Camargo Barros (1904 - 1906)
  • Dom Duarte Leopoldo e Silva (1907 - 1938)
  • As dioceses de Porto Alegre (1848), de Curitiba (1892), de Pouso Alegre (1900), e de Florianópolis (1906), forma aos poucos sendo desmembradas, ficando então a diocese de São Paulo reduzida apenas ao território do Estado de São Paulo.

    O Papa Pio X, pela Bula "DIOECESIUM NIMIAM AMPLITUDINEM", de 07 de junho de 1908, cria a Província Eclesiástica de São Paulo, sendo D. Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo metropolitano.

    Durante o governo de Duarte Leopoldo e Silva inicia-se a construção da nova catedral em 1913 e São Paulo é elevada à categoria de arquidiocese, por decreto do Papa Pio X, quando são criadas de seu território as dioceses de Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos (do Pinhal), e Taubaté, envolvendo a diocese de Curitiba, então existente, como sufragânea até esta ser também elevada a Arquidiocese em 10 de maio de 1926.

    Em 1940 a cidade possui 1.330.000 habitantes e segundo o censo, o Estado de São Paulo detinha 43 % da produção industrial e 35 % dos operários de todo país.

    Em 1954, no IV Centenário da cidade, o Estado de São Paulo possuía 14 dioceses e a população da nossa Arquidiocese era estimada em mais de três milhões, o que a colocava como a maior do Brasil e segunda da América do Sul. Contava com 203 sacerdotes diocesanos num vastíssimo território com vários municípios da grande São Paulo.

    Considerando a densidade demográfica da Arquidocese de São Paulo, e buscando o bem-estar espiritual do povo de Deus, a pedido do sr. Cardeal Arcebispo, a 5 de março de 1989 a Santa Sé resolveu desmembrar quatro das nove Regiões Episcopais. Elevando-as a dioceses autônomas. São elas: Santo Amaro, Campo Limpo, São Miguel e Osasco.

    O Estado de São Paulo tem atualmente 41 Dioceses, sendo que a Arquidiocese de São Paulo é subdividida em 6 Regiões Episcopais, totalizando assim 46, incluindo as arquidioceses e as Regiões Episcopais.

    Formação de Algumas Dioceses Paulistas

    No ano de 1920, a Diocese de São Carlos era uma área imensa. Os Núncios Apostólicos que atuavam no Rio de Janeiro, no início daquela época, estudaram e ficaram conhecendo bem fundo esse problema, sendo que, após a visita de um deles a São Carlos, a pedido do então Bispo Dom José Marcondes Homem de Mello, resolveu-se a solução do problema das dimensões territoriais da Diocese de São Carlos. Aos 25 de janeiro de 1929, o Papa Pio XI, pela Bula "SOLLICITUDO OMNIUM ECCLESIARUM", desmembrava de São Carlos as Dioceses de Jaboticabal, e Rio Preto.

    Diocese de Bragança Paulista

    No dia 15 de Dezembro de 1763 os paulistas Antonio Pires Pimentel e sua esposa D. Ignácia da Silva doaram à Igreja Católica o terreno em que foi construída a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que, perto do Morro do Lopo, na Serra da Mantiqueira, nas cercanias de Atibaia, deu origem ao povoado de Conceição do Jaguary. Em 17 de Outubro de 1797 torna-se vila e recebe o nome de Vila Nova Bragança e, a 24 de Abril de 1856, elevada a cidade com o nome de Bragança.

    Em 24 de Julho de 1925, o Papa Pio XI, com a Bula Ad Sacram Petri Sedem, cria a Diocese de Bragança no Brasil. O seu território, em quase toda a extensão, foi tirado da Arquidiocese de São Paulo e, em parte, da Diocese de Campinas, da qual Bragança Paulista tornou-se Diocese Sufragânea em 1958.

    A Diocese de Bragança Paulista situa-se ao norte da Região Metropolitana da Cidade de São Paulo e faz divisa com o Estado de Minas Gerais pela Serra da Mantiqueira. Compreendendo 18 Municípios e 43 Paróquias.

    Rio Preto

    No ano de 1929, no dia 25 de Janeiro, pela Bula "Sollicitudo Omnium Ecclesiarum", desmembrada da Diocese de São Carlos foi criada a Diocese de Rio Preto, juntamente com a Diocese de Jaboticabal.

    Foi o primeiro Bispo de Rio Preto Dom Lafayette Libanio. Com um trabalho verdadeiramente missionário, percorre incansavelmente sua imensa Diocese, por estradas quase intransitáveis, poeirentas no verão, encharcadas e lamacentas no período das chuvas, utilizando os meios rudimentares de condução da época, às vezes em lombo de cavalo, nas prolongadas visitas pastorais, pousando até mesmo em choupanas improvisadas e úmidas. E vai, aos poucos, incentivando e erigindo paróquias, benzendo capelas. Em seu pastoreio, até sua renuncia por idade, aos 80 anos em 1966, ao longo de trinta e cinco anos de episcopado, criou 49 paróquias que, somadas às 15 que encontrou, perfazem o total de 64 na Diocese.

    Jales e Catanduva

    No dia 12 de Dezembro de 1959, pela Bula "Ecclesia Sancta", nasceu, desmembrada da Diocese de Rio Preto, a Diocese de Jales. Em 1999 Catanduva tornou-se diocese, desmembrada de Jales.

    Diocese de Santos

    Durante o governo de D. Duarte, deram-se outros desmembramentos da Arquidiocese paulista entre os quais a Instituição da Diocese de Santos, em 4 de julho de 1924. A Diocese de Santos formou-se do desmembramento das dioceses de Botucatu, de Taubaté, além de São Paulo. Os limites da recém-criada Diocese eram as Arquidioceses de São Paulo e Curitiba e as dioceses de Taubaté, Sorocaba e de Barra do Pirai (Rio de Janeiro). Abrangia, pois, toda a zona marítima do Estado de São Paulo e os municípios do Ribeira e de Apiai. Foi o Papa Pio XI quem deu origem à nova Diocese, pela assinatura da Bula "UBI PRAESULES".

    Faziam parte da Diocese de Santos as paróquias de N. Sra. do Rosário; Sagrado Coração de Maria; Santo Antônio do Embaré; Santo Antônio do Valongo, todas em Santos; a de São Vicente e a de Conceição de Itanhaém. Ainda: as paróquias de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, no Litoral Norte. Também nela se integravam: Apiai, Iporanga, Xiririca (atual El-Dorado Paulista), Iguape, Cananéia, Jacupiranga, Juquiá, Prainha (atual Miracatu), na região do Ribeira de Iguape (Litoral Sul). Abrangia a extensa Diocese 19.164 km2 e abrigava uma população de 344.041 pessoas.

    Compilado a partir de diversos websites de Dioceses Brasileiras e da CNBB, sendo os principais os sites da Diocese de Santos e o site da Arquidocese de São Paulo.


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    Última atualização Sunday, 11-Nov-2001 14:09:45 MST

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